No tempo de Deus
Sentada na mesa de almoço da véspera de Natal, mesa farta, com comida deliciosa, mas o vazio cai de repente no colo. Olhava à volta e nada me fazia sentido, apenas o sol que batia na janela e me aquecia, tudo o resto vazio. O mesmo vazio ao jantar da véspera de Natal, o mesmo vazio na abertura de prendas, o mesmo vazio no levantar do dia 25. Já não sou criança, já não há magia. Só um vazio. Hoje ao almoço de Natal tive vontade de me levantar e dar um murro na mesa, queria gritar a dor que me habita e fugir para longe durante 24 horas e esquecer o Natal. Não é mais Natal dentro do meu peito. Porquê. Porque algo que me falta não está. A meio da noite da véspera de Natal, após a ceia, fui alimentar os animais de rua e aquele olhar, aquele ronronar preencheu mais do que qualquer voz na minha ceia de Natal. Não sei onde me perdi, mas sei onde me posso encontrar. É duro, porque a vida bate-nos sem piedade. Já a sangrar, estendida no chão, ela continua a dar murros no...