A lucidez do tempo

 Quando o tempo nos atinge com a sua lucidez, tudo fica nítido, tudo melhora.

Sabem aquela conversa tida há anos com alguém que nunca fez muito sentido?

As palavras ditas e atiradas ao vento sem interpretação e depois... Anos depois... Ah, agora entendo o que querias dizer com aquilo!

São conversas inteiras, por vezes, que pessoas tiveram connosco e ficaram arrumadas num canto bafiento da memória e de repente ganham vida e percebemos uma série inteira de informação subnegada, mas que sempre esteve lá, só nós não soubemos interpretar, ou não queríamos intepretar.

O verão tem disto: os silêncios, o mar, o vento, o desacelerar. Tudo nos empurra para amadurecer os pensamentos e a vida. Quem nos abandonou no caminho da amizade ou até do amor. Quem nos disse coisas sem sentido e que ganham todo um outro sentido quando amadurecemos e percebemos:

- Que estupidez! Como nunca tinha pensado ou chegado a esta conclusão antes?

O tempo é amigo da lucidez. Nem sempre por bons motivos. Aliás, 99% das vezes por maus motivos. As pessoas que nos feriram ficam mais vivídas, mais salientes na sua maldade e condição humana. E isso ajuda a arrumar uma série de assuntos na gaveta que andavam espalhados pela alma, a moer e a corroer.

Foi lucidez de um trago que engoliu, levou e queimou para nunca mais ser lembrado.

O distanciamento do tempo e do lado emocional, traz um racional deveras afiado e também afinado.

Pode ser sempre assim, mas em tempo real, sem desfasamento?

A gerência agradece.

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Alguém que escreve umas coisas, por que sempre adorou escrever. Alguém que em criança adorava gravar cassetes a fingir que era uma locutora de rádio. Alguém que sempre adorou o mundo da música e seguiu um mundo completamente diferente.

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