Que a escrita nos salve
Nos salve dos pensamentos enviesados, dos pensamentos sabotadores.
Que a escrita nos salve da escuridão, da noite silenciosa.
Que traga conforto, calor no lençol de verão que se estende
em cetim.
Que traga paz, como chá calmante borbulhante.
A escrita é escape, é pensamento, é meditação.
Quando tudo desmoronar escreve, grita na folha as palavras,
os teus sentimentos mais perturbadores.
Grita fundo e vem ao cume espreitar se alguém ouviu o grito
profundo.
Não se agitam ventos, não se vê viva alma. Boa! Ninguém
ouviu, ninguém viu, mas tudo à volta sentiu.
O estorninho entre as letras que gritava ora de alegria, ora
num lamento, escondeu-se.
E fez-se silêncio dentro de ti.
Palavras são arremesso ou cura.
Palavras são conforto ou desilusão.
Quando tudo for inferno e interno,
Escreve,
Pois a escrita nos salva.
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