Falta-me uma peça de puzzle para me reencontrar

 Entrou setembro,

e parece que um vazio se instalou. O vazio de não ter tempo para pensar, abrandar, cheirar, saborear.

Por que vivemos numa sociedade tão acelerada?

Quem desfruta disto?

Tenho sempre a sensação que muitos de nós trabalhamos para que outros possam ter uma vida melhor, mas não trabalhamos para nós termos uma vida melhor.

Perdêmo-nos no meio dos deveres, das responsabilidades para espreitar por cima do ombro e olhar de soslaio, pelo espelho, para nós, e questionar:

- Como cheguei até aqui?

Não dá aquela vontade de desligar tudo, sair porta fora e voltar só quando a saudade apertar?

O silêncio do mar, a brisa, o calor do sol, o folhear do livro, os gritos das crianças ao longe a brincar, o "Olha a bola!", o cheiro da fruta fresca que salta de um recipiente para nos encher a tarde de verão na praia.

O ser humano não foi feito para viver assim apressado. Dizia-me alguém, aqui há dias. Concordei.

Não fomos projetados para tal. Fomos projetados para viver, saborear o tempo, as verdades da alma, a tranquilidade de uma manhã, o desvanecer de uma tarde, o desenrolar de uma noite.

Fomos feitos para aspirar e não para desesperar.

Como nós, seres humanos, nos perdemos no barulho grotesco do mais e mais?

Invejo, de uma inveja boa e saudável, aquelas pessoas que largaram tudo para viver do que lhes fez desacelerar.

Aqui há dias li sobre uma miúda que largou tudo para viver do crochet. Que não foi fácil, que foi atrás de conhecimento para manter um negócio, mas prosperou e vive feliz.

Juro que dou por mim a olhar para as minhas linhas e agulhas e pensar: Faria igual, não fossem as responsabilidades que me assaltam e faria igualzinho.

Queria viver de um hobby. Seria o melhor do mundo, respirar, desacelerar, criar.

Sempre me vi como alguém que gosta de criar, desde criança. E ao mesmo tempo criar não é para todos.

Viver das nossas criações exige de nós paciência, insegurança pelas responsabilidades a cumprir.

Sabem aquela peça do puzzle que falta? É, hoje sinto que me falta essa peça de puzzle que encaixe nas minhas ideias para mostrar-me o caminho. Um caminho onde possa existir e viver de forma mais devagar, menos acelerada e ser feliz na mesma e ser útil à sociedade na mesma.

Comentários

Os blogues que leio

A minha foto
April
Alguém que escreve umas coisas, por que sempre adorou escrever. Alguém que em criança adorava gravar cassetes a fingir que era uma locutora de rádio. Alguém que sempre adorou o mundo da música e seguiu um mundo completamente diferente.

Mensagens populares