A ausência da presença

 Há algo melhor que o silêncio arrebatador de uma floresta?

Um piquenique;

O ficar sentado a olhar as árvores a balançar ao sabor do vento;

Quando paravam, uma agitava-se e ao bater nas outras provocava um dominó de dança coordenada;

O barulho das folhas rodopiavam de forma sincronizada no ar, quase um movimento melancólico;

O Sol aquecia a pele por entre as sombras das árvores;

A paz do aroma a pinheiro, no ar, a contagiar os pulmões;

Os sabores mastigados mais intensificados por estarem misturados com este espetáculo musical e visual;

Tanto para absorver, tanto para reter na fotografia da memória, sem telemóvel, sem fotografia digital, só a humana, da mente.

Como um abraço que a natureza devolvia.

No meio de tanta beleza, caos sincronizado e em harmonia, a ausência da presença:

Três pessoas, sentadas, cada uma na sua mesa, ali ao lado;

Cabisbaixas a olhar para o telemóvel, qual senhor reinante das suas vidas;

Vidradas, hipnotizadas, sem reparar no que se passava à sua volta;

Não reparavam no espetáculo gratuito que as rodeava, apenas alheadas de tudo e absorvidas por um ecrã que lhes regurgitava informação e mais informação, que no final do dia será esquecido e dirigido para o lixo mental.

Trouxe comigo um espetáculo de natureza indescritível, um abraço quente invisível.

O que será que aquelas pessoas trouxeram consigo?

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Alguém que escreve umas coisas, por que sempre adorou escrever. Alguém que em criança adorava gravar cassetes a fingir que era uma locutora de rádio. Alguém que sempre adorou o mundo da música e seguiu um mundo completamente diferente.

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